quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Apolítico I

Quando dei conta
teria cursado a um outro
Bando, caí ali como cuspe do alto ao pisar do chão

Corria entre os passos
apressando-os,
diziam a hierarquia
como compasso

Quando encontrei algo a comer,
estava aquecendo-me
era noite e chovia...
explicaram-me sobre propriedade
daí ouvi dizer em dinheiro
Foi o momento cambaleante
apaixonei-me pela dona-de-casa - assim a chamavam

a recepção fora com o susto do casal
o homem com a testa enrugada, parecia bravo
e a moça serviu-me, Quando eu parecia ter ido embora.

acordei no celeiro
vi fantasias iguais em minha direção
e tomei o que chamam de porrete.

teria o direito de permanecer calado.
identificando o idioma
perguntei:

- O que são direitos?
dinheiro?

ouvi que receberia processo
desacato a autoridade,
então não poderia correr
e deveria entender a palavra LEI.
Fui nomeado pelo líder das fantasias como vagabundo.

primeiro instante, o nome que me davam
parecia alto, mas alguns tapas fizeram com que eu não gostasse...

em desespero, depois dizer que estou livre...
a liberdade me levava do chão a uma porção de chuva,
enquanto pensava nas novas leis,
queria entender o que chamam de politica
como que algo tão controlado pelo sentimento
podia ser diferente do amor,

palavras tão mecânicas e burocráticas
movia massas através do que considerava,
usando o idioma daqui:
as LEIS de onde vim.
estas são sobre alma humana.
quando balbuciei sobre ética
percebia moralismo, repetido. parecia estar com outra espécie, Certa de que está é a evolução.

Desde que cheguei ao que chamam de país
todo o mundo é separado por países.
lembrei do que me diziam sobre propriedade, dinheiro e leis.
estava enquadrando tal realidade
me corroía, durante minha estadia por aqui ganhei tantos nomes
que esquecia alguns rostos da minha origem, de nada serviam por aqui.
o estado, o instante estava corrompendo-me.

Lunático, drogado, vagabundo, comunista...

o lugar era deserto, tinha algumas pessoas que deveriam ser proprietários dali, e outras daqui... todos iam pra dentro de suas casas.
Continuei andando ... dessa vez persegui um outro tipo de som
Música, avistei muita gente... senti medo no inicio, mas como um apaixonado continuei...
uma espécie de degrau separava as pessoas que imploravam juntos, e os instrumentos que hasteava paixão, destruição, amor, e Ego... subi o degrau e não estava mais no mundo do proprietários... o guitarrista emprestou-me uma de suas guitarras...
A cada porção de alma que gritava junto, trazia notas induzidas mas nunca sentidas com tanta paixão e descoberta, enquanto cantei o mundo que fui cuspido, chorava de saudade
do lugar onde arte é o que chamam de hierarquia, propriedade era algo que tratávamos como respeito, dinheiro nem se quer existia...

Todos cantavamos:

"Educação para destruir?
Almas que pedem sem socorrer
Identificam seus personagens antes de cair
em um mundo onde a força e lei, é o que rege
Lei sobrenatural
inventadas por nós
direitos nos da nó
Cabeças perdidas
rolando, sem sangue
ou amor.

Cabeças perdidas,
marcadas, para produção
de um Estado

E o estar, corrompe
onde está a terra que eu teria vindo ?
Onde está os humanos?
estamos ou somos isso ?

Quero pode permanecer nesse sonho
desafiando o pesadelo
destrua-me de uma vez
não me use como rebanho.

Estamos ou somos isso?"


Socumbi ao choro, caí do palco e essas pessoas erguiam me com os braços levantados...
Não havia comido a alguns dias, minha visão era negra, a respiração falhava, sentia-me bem por estar com estes semelhantes, erguiam-me pela força do sentir, por estarmos onde o mundo fragmentado era motivo de desespero, teste para a alma.




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