quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Daqui

Poupou-me de acompanha-la em  suas passeatas
virou ao avesso, sem carregar suas feitiçaria
conformou-se com a ausência

Tropecei em um daqueles saltos
que quase sem altitude
com a correnteza arrastando-me para o tubo da onda...
mergulhei antes que pudesse
recuperar o fôlego.

Daqui enquanto deixo secar-me,
bato palmas
ao espetáculo...


ondas, sondas, todas
sem fim, ao que vem
envolta de som
que volta e permanece.

com os olhos entre abertos
explica-me toda beleza em fúria...
toda ausência e saudade.
esconde-me em pistas,
recém imaginadas
da própria sombra emoldada na areia.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Entre Tons

Silenciamos, a peça era um desconforto do espavento
A supressão. O súbito de perceber o vazio.
Folhas revoando sobre outras que caem secas.
Fossem momentâneas, Até equilibrar-se em troncos empalhados

Fossem esvoaçando as ideias.

Passamos por horas, sentado e admirando esta tela
Que chamara-me amorosamente,
Depois de descobri-la no canto da sala.

Entreolhamos, outra vez estranhamo-nos
Convidei-a à ver um dos meus quadros
os olhos indagaram, outra vez,
ficamos quieto, sem tantos movimentos, por ora rindo, por ora sério.

Esmiuçando a distância entro o espaço e as cores.

...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Crueza da simplicidade

Ao som de Ray Charles
A criança olhava, aguçada à sua volta
como se entendendo
a crueza do tempo

Ao instante que lhe era belo.

Não era tão admirado, quanto ver os pulos,
que a dança, trouxe ao remexer da criatura.
Chamou com o sorriso
a contra invenção,
o importuno
belo.

Tão risonha, e preparada.
vulnerável como minha própria palma.

a vileza dos assuntos
sem fundo
era nosso carpete, tão bem cuidado.

aaaaaah se foram todos os caprichos,
eram sorrisos e gargalhadas...

contive alegria, e propus outros discos.
Pulamos, com todas as fileiras,
...






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Histeria

Estava assimilando a simulação
falso ensaio, arpéu evitado,
                                   enviado.

Assimilação dissonante, converti-me
como um ator,

de tantos palcos, que a saudade permite... a voz falhou.. engasgado as luzes apagaram .
e ... acenderam: - Permite! o coro da plateia romperam a atenção dos olhos e o sufoco do artista.

Se pudéssemos, se fossemos nós... Veríamos Palcos.. tão belos para o improviso... ou o ensaio, ou  contemplação...com alegria e tristeza: apresenta-se Belo ao método que alma comunica-se...



o oficio registra a modernidade.
e contadores, e atores,
e a retenção
o falso movimento
a intuição programada..

o limite de uma vida,
em um sistema
de oficios...

ainda há palcos

ao redor a plateia cansada,
descansa os olhos fechando-os, 
até que ilumine novamente o personagem, 
estará esperando...




os cegos, no tablado
agem no escuro.




Ao fundo um grupo gritando pergunta:


Qual a importância, mostrando um tom irônico consigo e a existência.

Acenda as luzes!

Nós renovados com a reação aplaudimos e cumprimentamos a plateia....


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Comunhão de todo Oco


Nada além
Do peso
Doutro

 Sem leveza

 Nada além
O pensar
Dessoutro

Rarefeito

Sem casca
                 Polpa
Nem doce          nem amargo

Relâmpago absoluto,
      Consciência
              De contraponto.

Um pomar
Fotografado:
Mesmos frutos e cores.
-------------
Essoutro estouro
Fora do vazio
Ecoado por combustão.
Inflamando
Nada, além

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Gato noturno



Esse zunido novamente,
                                               o vento
Secou-me. Identifiquei cada acaso.
                                                 Que levava
Busquei qualquer plano, sem ser
Alimento para a calma
                                                 E o encher da lua

Que espera
               
A madrugada

Cair
  


Por falta de mim,
Recompus à outra volta. Escolheria qualquer personagem


Sem saída,
Para o sono

Esmiuçando, em qualquer forma,
Rendia-me a qualquer sussurro
Ou grito desavisado...
                                                               Invertia-se por cores                                                    
                                                               Com a lua em prata

Não houve sentido
Correr por de baixo,
A ponte estava entre a volta
E a fuga.
                                                               Detendo-se do lado oposto
Perseguia os passos
A rapidez necessária
Em meu desfile entre os quarteirões
Era para ocupar minha raiva, em ser odiado.
                                                                              A noite vazia deixou-me só o gato
Ódio não poderia ser...
Comprometem-se tanto em latir.
Por saborear os latidos para minha atenção
Em três saltos permaneci
De frente às casas com os cães mais bravos.
Até que amanhecesse. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Entre cortes da cegueira.

Entrei na loja de moveis antigos, e de tão novo que era,
não servia para a saudade.
Insistentemente surpreendia todos os detalhes,        em um piso.
O jornal jogado sob a mesa deitada ao carpete de madeira
           Apontava noticias do dia que estive aqui...

Encontrei no vazio do quarto
o antigo perfume.
Lembrava-me, escondi a tristeza...
Soltando o riso que prendera minha respiração, amargando a garganta...

Silenciei quando não vi,
o sustou apagou-se,
antes que me sentasse
no sofá empoeirado.
(SEM LUZ)

- Só preciso esperar .
 soltei o pensamento enquanto cerrava os olhos e abria-o rapidamente, tentando ver algo além do breu.
Ele circulou-me a poltrona.Esculto:
"- Meu caro, não é permitido contato com os móveis."

Do que falas?
Estou aguardando. Tremelicou!
Que acenda a luz!
Não posso.       Engulo o ar afim de recuperar o folego,           Sair sem ver!? solucei.
Andando onde nunca estive.

Surgiu traços no escuro
Desde alguns palmos acima do chão
em cima um semi circulo, fechava a forma...
        Antes de identificar minha imagem....

- Quero levar aquele espelho.

"- O senhor riscou o sofá terá de pagar por ele"

Irritado por ocupar boa parte do seu tempo.

Serviu-me o favor, do valor, do dinheiro, que eu tinha...
Com mais 2 cigarros, e uma cerveja...
ele ajudou-me carregar o espelho até apoiar no poste,
Deixei o estofado no acostamento,
E após o terceiro flash da câmera,
Ceguei novamente, e corri, e sentei, e desesperei...
sentei

este som
não sou eu
esta não fora refém da outra
cá estou entre meu peso ao estofado,
e a imagem que o breu passaria ao espelho.

o peso, tão grave.
ou afligindo os pontos distantes.


Suas partes quebradas, era reparáveis aos olhos de quem
descobre algum prazer no desafio.
distorcia, com testes mal feitos.

deteve-se com a oferta.

-dou-lhe 100 réis, por esta peça. Apontou o espelho...

Enjoado de ora ver me... ora cegar.
recuperei parte da visão...
a nitidez crescia nos olhos do novo proprietário.

voltei a loja cobrei meu cigarro em tom simpático, e comprei outra peça com os 100 réis.








quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pequenos, Visto de São Paulo




I.

Sempre que chovia
A cidade inundava
O asfalto
Que antes carros
Montavam seu zunido e buzinas.

Com outra pressa,
O som passa ao molhar em gotas, queda
Por poucas e vidros
Metal e ditos : Mudava. Chovia.

II.

Soube que os japoneses tomaram
Chá inglês na zona sul;
Casa dos Italianos...

Os alemães que criaram sua vila do outro lado do bairro
Integraram para a escola de samba.

III.

Capital do “bom prato”.
Fez-se do mundo seu cardápio
Seus casarões
Que servem o banquete
Dos engenheiros do sabor,
enriquecem a nova capital gastronômica.

IV.


Relance. arquitetura


Ou eu estava por outra impressão?
Consequência da ignorância de uma vista sem nudez,
parabenizo as formas.

Ou eu a reconhecia, o detalhe
em meio a palacete, sua assinatura.

Parava ou tropicava com a cabeça pra cima.