quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Camena e a música



-Do que é feito a música?

                Escolha um Raio,
Antes de observar o trovão.
Conte a duração
E tua distância

A tempestade é a desordem para o caos
A pré-existência deste
São as possibilidades ocultas

O parque encheu
Os muros represaram água
O silêncio era a período entre as notas
Este que era aterrorizante
Quando as
          Dissonantes
 Finalmente,
  Chocavam

As Árvores submersas
Não tiraram o canto dos pássaros
Que apropriaram o divertimento à necessidade

Os rasantes sobre o lago
Eram boas vindas

Enquanto banha,
E Alimentam a sede...

A musíca: A terra e Horizonte.

II-
- Será que me ouvem?

- Para os pássaros?

- Estou dizendo a você!

- Mas vô, não entendo o que quer dizer, quando que este parque encheu?
- Hoje está cheio!

- Não sente os movimentos sob a pressão D’agua?
Não vê as rugas?

A neta começou  a chorar, não queria ficar velha e não admitia que matasse a vida, correu até a piscina que transbordava enquanto o avô contava a história.

- Vô, isto é agua!

Mergulhou. O sorriso assustou o velho que lembrou quando pulaste do viaduto com os mesmos dentes prontos a caírem
Em um impulso, largou a muleta:

Volte pra cá, Camena!

Mergulhou e puxou a moleque.
 Os olhos arregalados do velho
era o impulso reminiscente,
a ironia que relembrou
era com o sorriso da menina.

- Vamos já estamos molhados mesmo.
            Arremessou a bola que boiava solitária
- você nada muito bem, vamos jogar.
Ao mesmo que o velho lembrava, respondeu:

- Por isso estou vivo! e ofegante...

A entonação trouxe-os às gargalhadas

Os dois ficaram à brincar até que  os raios anunciantes o espantassem; voltaram pra casa cantando a distancia...

Com cada  trovoada, contavam, cantavam sentaram a rua e ficaram a anotar :

Este está a 3 km ao norte.  Este 1km ao leste.
- isto é avião
- imagina a turbulência.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Tardes de sé; Missa acidentadamente

I - As tardes na sé,

Quanta gente?
Que imundice!
desvirtuosismo!

Que imundice?
Desvirtuou-se?



Qualquer cena, trariam curiosos
uma multidão, em cada discussão,
Insistiam
em desfazer a beleza
dando nome pras tuas angustias

Era revolta!

Volta de dentro
para a fúria
Das entonações e acusações!
Era o poder dos mensageiros
a palavra abençoada pela maldição, da raça!

Os sinos tocam as 18 horas, e toda arquitetura projetada há 500 anos
Reascendem lentamente, com o badalar.


...

"O que trabalhou á passeio,
com quinar e sonhos,
Fotografava."

II - Da praça,


A mulher nua, Trouxe o corpo em coral.
A Praça pregando aos pregadores, disse:

- Meu solo
é vosso respirar,
nosso riso
é indício de primavera.


O homem que gritava com o paletó ensalivando a cada fraseado rememorado, e fundia as pessoas com os demônio durante todas as manhãs, tardes, por vezes, dormia ali mesmo, pra ser o primeiro a dar-lhe nomes. Quando a ouviu, cerrou os olhos, desacreditou do ser e da voz; calou:

- Esta praça, fora feita para nós, dentro do mundo que já existia!


E quando a mulher viu que ele refletia:

- Conhece o silêncio?

O homem que não pensou sobre, confundiu os assuntos com a morte, e sorriu:

- DEMÔNIO, DEMÔNIO, queres me dominar... vejam...
esta mulher, esta possuída...
Perdia as palavras, tentando provar a relação das cores, o palavrório.

As vozes, afunilam-se:
A mulher e a praça dialogam, sem que reconhecemos o sujeito...




Ao círculo, ganhou raio: os curiosos, informantes, comerciantes, miseráveis e os justiceiros.
Fora um estrondo, o homem subiu no marco zero, lisonjeado com a multidão...

- Tua heresia, jamais será perdoada por Jesus Cristo.


Os outros que gritavam, corriam em fila, aquele aquele:
- Aquele! Satanás.
perseguiam barulho!

Os cães ladravam, As árvores soavam os intervalos do badalar.

- Conhecem-se quando tristes? ou Alegres? Conhecem a palavra?

O homem, Ganchando, aproveitou e abriu a biblia, os cães cercaram-o;

latindo, com os olhos nos olhos do pregador.

III - Assembleia


Os Palhaços, entram no cenario:
Um incrivelmente triste, outro afoitamente alegre.

Correm envolto do setenciado, tropeçam;
Riem, e choram.

Simutaneamente:

Com a feição de tristeza
pareciam deboche,
ou insanidade.

O que chorava
com excesso de
alegria...

Os homens e os cães silenciavam, e criavam alvoroço a cada tropeço...

Ora levantavam rindo, outra corriam com os cães.

E por fim apontaram ... e o cão tomou da mão do homem, com os olhos desesperados:

Enfurecido, em nome de jesus,
Pernada, bica, com os punhos fechados e olhos feichando... girava os braços e pulava;

- O Dia do Juízo final víra para todos!

O juíz, que todas as noites. Alimentava a embriaguez.

- Desculpe, meu senhor!
Poderia informar-me quando será o dia do Senhor?

O palhaço triste ergueu a placa:

- "Pra que?'

- Sou Juíz, preciso estar alerta.

O outro palhaço, ameaçou qualquer fala, engasgou... tornou a placa

"pra que"?

- Sou autoridade nesta praça.

- desculpe senhor isto não é uma assembleia.

- Senhor, o que é uma assembleia?

- Mas e a voz da praça?

- Tu deves ter enlouquecido. Responde com outra questão?


O poeta largou sua camera.

- Então não fora só eu que ouvi a voz da praça?
Era óbvio e pouco rispido, como quem torna a realidade;


ergueram outra placa:

" pode crer! "

- A moça és uma artista.

- E tu contempl-a//dor//a-mente.

Separou com a entonação, todos os sentidos.

- Eu contemplador?



O juiz desatou a rir... e a multidão riu!

- é preposição tua falta de enredo? perguntou o poeta, refugando tuas questões.

o Juiz olhou ao redor, buscando fins pra suas respostas.
Roubou o olhar de alguns, que propunham toda sua desordem


- Quero que venham comigo,
o discípulo de jesus,
por desrespeito a arte.
Esta mulher, por andar nua.
E o senhor por desacato.

A multidão começava a dispersar,
o vento arrastava o cheiro de terra molhada,
o poeta convida a moça para atuar em um manifesto:

- temos que aprender mais sobre as leis, para acatar ordens!

O Juiz ergueu os olhos, com a sombrancelha:

- Quero que venham comigo!
o discipulo de jesus,
por desrespeito a arte.
Esta mulher, por andar nua.
E o senhor por desacato.

e repetiu a frase até que o setenciado despertasse e juntasse à dar voz a tuas causas.