sábado, 14 de abril de 2012

Momento vitrola

Estive por horas em frente as prateleiras
meus discos estavam antiquados para quem eu estava.
sei que sou,
quando entendo que estou assim.

Então eu ia até o toca disco,
posicionava a capa inclinado pela parede e o chão
e apontava para criado-mudo com os retratos.
sem que descesse a agulha, confirmo.
- Não entenderia, se o ouvisse...
antes que eu voltasse deixo  o disco ao lado da vitrola
e a capa ainda posicionada ao lado das outras

Só substituía o ritual
quando reencontrava o que precisava ouvir,
nunca devolvi um disco para as prateleiras.

Quando ouvi ...
fui à janela,
e fiquei até que terminasse.
Não o era mais aquele d'antes.


terça-feira, 10 de abril de 2012

Matéria derramada.

Ainda que este espaço que deixamos
fosse preenchido do vácuo
Já fora, e já está preenchido.

Ainda que podássemos, mentíamos
poderíamos sempre mais.

Sob o trajeto da queda
Víamos-nos sobre o que preencheu-se.
Guardamos como sinceridade, somente as descobertas...
Trazendo á cena, novas formas

esvaziávamos os cálices
com uma grande voz
que ecoa por entre o tinto
e o vidro que equaliza
deslizou entre os dedos
a chance da queda...


por impulso
retardado
voltei a mão esquerda antes que derramasse.


fiz-me puro reflexo, agia sob efeito
de estar entristecido, parei-me como o efeito daquele cálice.

Voltei à mim, sem qualquer excesso
limitei-me a ser enquanto posso.
A Chamar de atraso toda nossas dúvidas, eram mentiras para descoberta.
Não omito que ainda que fossemos só jovens, estaria contigo ao resto dos outros dias.

Também a vi misturando-se entre as constelações, jogou com a sorte, e aqui sorte era jogo de luzes.
Ainda me lembro, não se lembra?
Aliás, não vejo nada além.
Espero com ansiedade e desprovido. Curioso.

Até que derramemos com tudo.
Fico à beirada dessa taça, transparente e seca.

domingo, 8 de abril de 2012

Febril

Nem poderia achar-me frio.
Estava constipado. Emancipando-me outra vez

Ainda desconfiava do fermento
E das cargas dos Oxigênio
Ou menos calor já estaria
crescido?
mas como incremento
deixou-me que o desejo confundisse-me
com vício... Vacilando o desejo, descontinuei-o.

Achei-me frio, sufocava-me com adiamentos; deixei meu caderno ao sair
pois não arriscaria escrever sob a tarde.
Seria durante as manhãs, pondo ao cume das expectativas...
que repetiria-me em profecias, com otimismo.

Nem via-me no silencio da dor.
Transbordavam-me.
lembrei-me de todos os remédios...
que só os são, pois eram experimentos...
e assim o foram... suas dosagens
sobre o peso.
atordoava a descoberta.
Enxerga-te através do susto, do insulto irreal, assustavam-se todos.

E com saudades, abrigo aos pés
meu suicídio mental, pra outro instante.
o que me resta é lembrar de como sentia-me ao cheiro das manhãs ....

Menos Febril.
Levando do leviano a próxima lupa de outro instante de frio..