quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sexta 13(atrasada_


Sempre soube me conformar. Até que eu não coubesse dentro do espaço... Não me lembro como vim parar aqui. Tenho certeza que este é um lugar.
tinha rostos nas paredes, e traços
que amarravam a garganta... sufoquei por alguns instantes, consegui recuperar o ar depois que, reabri os olhos com o rosto no chão, sei que tropecei...
               Corria por onde os passos levavam com os olhos vedados, sem que levantasse quando tropeçasse.

- quem está ai? sussurrei escondendo o rosto depois mostrando-o, não queria que se alguém pudesse ouvir, entendesse.

"Sempre fui muito cético, não preciso ter medo, conheço o real... e
sempre gostei de ter medo... não esculto mais minha respiração...
                             refaço todo o ensaio para conseguir oxigênio...
                             o carpete estava estranhamente aquecido...
Tudo aqui vai me parecer estranho... Por que ainda sinto medo ?
                            os rostos me lembraram o horror que agora não saberia como controlar...
                            arremessei-me a parede acreditando que fosse eu, arrisquei fechar os olhos, e
                            novamente corri... e quando com o rosto outra vez colado ao carpete... levanto cambaleando, as paredes  deviam ter cores que minha linguagem não é capaz de sacar a palavra certa... certo que lembrava da sensação das cores, do outro canto daqui... corri, sem ver ... por impulso sem susto, só pensará sobre as cores e de cara com o chão estava novamente.
 os rostos surgiam com a ausencia de luz, os corredores estão menores...
                            pelos cantos as laranjas estavam secas, e cheiravam mal...

Certamente estou em outro lugar...
- on...de estoou?
onde estou?
 escapou-me o desespero em sussurros
posso pelo menos lembrar as cores do carpete... talvez branco... preto, certamente é laranja...
e esta podridão?

um estrondo chiando, em tom que fez minhas pernas tremerem, depois do primeiro reflexo com o susto.... sem poder ouvir, o chiar formava palavras soprando a frequência.
com os olhos fechados corri até que novamente tropeço... e com a outra face sendo aquecida pelo solo... ouço um som de aves voando, um bater de asas, queria acreditar que fossem morcegos...

Ficarei imóvel, e controlarei a respiração...  o porque corro? e meus olhos cerram?
Isto é pavor?
                           retiro a caneta do bolso...
isto deve ser pesadelo... quero acordar... devo gritar?

- Acorde-me!!!!!! grito... sem eco algum...
- Alguém me ouve? mesmo colocando mais potencia que o desespero do primeiro grito: Soou seco.
                            e quando arrisco novamente reconhecer o lugar... percebo os corredores menores, o teto com rachaduras... poupei-me de tentar identificar .....

Não olharei mais ao redor... minha mente é quem está criando tudo isto, é um pesadelo... preciso acordar...
                            Para ter certeza que não fosse sonho, escrevia nas pernas frases desconexas...
enquanto tentava acordar, o chiar parou, senti meu cérebro por inércia ir um pulso a frente, retornar...
Concentrando cada instante, em que conspirou um silêncio e minha ofegância...
On...de estou?
onde estou?
                                 Diversas vozes, e entonação...
E esta podridão?

Acorde-me!!!
Alguém me ouve?
                          MISTURAM-SE
Ta assustado ? ta assustado?

segurei-me ao chão, sentia-me arrastando...



Não estou sonhando... preciso sair daqui... sempre tive respostas concretas para realidade, não precisava teme-la ...
aqui eu não sei o nome das paredes, a temperatura do carpete...

Meu desespero era incompressível... eu só corria e fechava os olhos... como se fosse irreversível. 

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