sábado, 21 de maio de 2011

Numa Ruazinha



.Exausto,

Olho para os dois lados, entro na rua e a sigo.Ainda não sei com que destino,mas sigo!
Vejo um carro vindo em minha direção;

Talvez ainda eu tenha forças para desviar, mas não sei se quero usa-la.
Talvez a dor do impacto seja mais confortante ou tão dolorido quanto a dor da minha exaustão,
quanto a dor de não ter destino. Quem sabe meu destino é ser sem destino.
Minhas dores, arrependimentos e confusão me fazem viver tão intensamente que, apesar do meu medo, desejo a morte;
No limite da vida, limite de todos os sentimentos, desejar a morte é viver.
Que força é essa que ainda me impede de ir de encontro com o carro? Será que é pelas pessoas que amo?

Mas o amar é tão intenso quanto querer morrer,
o amor tão egoísta quanto desejar a morte.

Ainda tenho medo então deixarei por conta do acaso, se é que existe.

Mas que medo é esse? E por quê? Talvez seja o medo da mudança. Quando aquele carro me acertar as coisas podem não ser como agora, e por pior que seja o agora,
eu tento me adaptar a ele, criei o hábito de sobreviver, criei o hábito de ter Hábitos, e qualquer coisa que venha contra eles, Assunta-me.
O carro insiste com sua aproximação, seu ziguezague imita a inconstância do meu ser. É engraçado depois de tanto tempo eu ainda acreditar que o Eu é Meu.
Nunca me encontrei, Nunca me tive; Sempre fui obrigado olhar para os dois lados, pois diziam que eu seria atropelado. Seria EU? Ou Eles seriam ? QUE SEJA!
Agora finalmente eu posso ser Eu. Posso fazer escolhas, contudo todas que imagino me assustam;

Mas por que raios não sofro um acidente, e tudo termina como começou,
se é que isso seja o fim.
Antes que eu percebesse que o carro do zigue-zague não existe, ouço em um silêncio ensurdecedor,um vázio ecoando todas minhas indagações,Indagações.indagações.

Minha respiração,que fora cansada pela exaustão, agora expulsa meu pulmão.Não inspiro mais , somente Expiro.

Eu fora atendido com a aminha ultima escolha.
Era uma rua de mão dupla.


Um comentário:

  1. Estou simplesmente maravilhada.
    "Nunca me encontrei, Nunca me tive; Sempre fui obrigado olhar para os dois lados, pois diziam que eu seria atropelado. Seria EU? Ou Eles seriam ? QUE SEJA!" Me identifiquei muito com esse verso. PARABÉNS outra vez.

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